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Vista dos H-8

Desde novembro de 2017, um novo formato de gestão tem possibilitado a implementação de diversas melhorias no H-8, resultando em mais conforto e qualidade de vida para os alunos. Nessa data, a NPA (Norma Padrão de Ação) ITA 045:2017 estabeleceu que o Fundo de Manutenção do H-8 passaria a ser “gerido pelo Centro Acadêmico Santos Dumont (CASD), arrecadado pela Associação dos Engenheiros do ITA (AEITA) e autorizado e fiscalizado pela vice-reitoria do ITA, por intermédio da IVR-AH8, com assessoramento da IA-IAP e ID-ACI”.

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Hall antes e depois das reformas

A NPA oficializou a iniciativa do então reitor Carlos Américo Pacheco (T79), que em 2014 havia proposto ao CASD a criação de um fundo com os recursos provenientes da taxa de manutenção paga pelos alunos (R$ 70), para a realização de manutenções e melhorias no H-8, a ser administrado em conjunto pelos alunos e pelo ITA (veja depoimento do Arthur Covatti (T18), abaixo). A arrecadação mensal é de aproximadamente R$ 42 mil.

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Lavanderia antes e depois da manutenção realizada com recursos do Fundo H-8

“O novo fundo trouxe mudanças significativas na questão de reformas estruturais. Precisávamos de reformas na infraestrutura do H-8 e estamos conseguindo realiza-las graças à inovação na gestão dos recursos”, relata Luís Guilherme (T18), estudante do quinto ano de Engenharia Eletrônica. Para o CASD, a importância da implantação de melhorias vai além da manutenção do alojamento.  “As melhorias refletem os valores que o CASD busca implementar dentro da comunidade, visando proporcionar um ambiente para potencializar os alunos da instituição”, explica Guilherme Marinot (T20), presidente do Centro Acadêmico.

Desde o início dessa gestão conjunta, foram realizadas diversas obras: troca de todos os telhados; reforma dos halls, troca dos pisos dos corredores, pintura das paredes e troca dos quadros. Também foi reformada a sala de jogos.

“O Fundo de Manutenção do H-8 é um exemplo da possibilidade de melhora de nossa casa. As benfeitorias prestam-se a mudar não apenas a estrutura, mas também uma cultura de melhor apreço pela nossa casa. No mais, o fundo também é representação direta da confiança mútua entre alunos, instituição e ex-alunos, e o trabalho de gestão do dinheiro, desde a arrecadação até a determinação de prioridades para a sua utilização, é para nós um enorme aprendizado”, afirma Marinot.

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Corredor e salão de jogos após a reforma

Para Arnaldo Barbalho, diretor administrativo da AEITA, a edição da NPA possibilitou agilidade, profissionalismo, credibilidade e eficiência no desenvolvimento das ações e iniciativas necessárias à implementação de melhorias no H-8. “O exercício diário dessa gestão a seis mãos tem sido um desafio para todos nós. Toda a equipe da AEITA se empenha ao máximo para atender às demandas da melhor maneira possível. Os resultados até o momento mostram que estamos no caminho certo e que trabalhamos todos em prol de um objetivo comum”.

O vice-reitor do ITA, Prof. Cláudio Jorge Pinto Alves, avalia a gestão conjunta com otimismo. “A avaliação é extremamente positiva. Os alunos percebem mais o valor do que lhes é oferecido e se empenham em atuar com mais cuidado na gestão”, afirma.

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A quadra antes e depois da reforma

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Novos bebedouros: a mais nova aquisição no H-8

Nem tudo foram flores

Arthur Covatti (T18), ex-presidente do CASD, foi um dos responsáveis por alavancar a operacionalização do Fundo de Manutenção do H-8. Leia a seguir o seu depoimento, em que faz um histórico dessa trajetória bem-sucedida.

“A ideia de se ter um fundo de manutenções para o H-8 é bastante antiga. Pelo menos desde o ano 2000 isso já era discutido, mas nunca ia para frente. Segundo o que me contou o Assado (T18), o divisor de águas foi o reitor Pacheco. Em 2014 ele, chamou a AASD (Associação Acadêmica Santos Dumont) e o CASD para apresentar uma ideia: um fundo que seria responsável por realizar manutenções e melhorias no H-8, a ser gerenciado em conjunto pelos alunos e pelo ITA.

Ele formou dois grupos de trabalho: um de alunos, que seria responsável por montar uma estrutura de cobrança e administração (o Assado estava nesse grupo) e outro, formado pela administração do ITA, que iria criticar o modelo proposto e cuidar da parte legal do projeto.

Foram meses de interação, até que todas as partes concordassem com um modelo que fosse próximo do ideal. O modelo era baseado em três pontos principais:

– A comunidade tinha que participar das decisões de alocação do dinheiro do fundo, indicando quais seriam as reformas prioritárias em cada momento;

– O ITA teria sempre que aprovar todos os gastos, para garantir a idoneidade do processo;

– O fundo deveria ser gerido com o máximo de transparência possível, sempre deixando claro os fluxos de entrada e saída de dinheiro e tendo todos os comprovantes de todos os gastos realizados.

Por fim, em 2015, todas as partes envolvidas bateram o martelo sobre como funcionaria a arrecadação do fundo, que começou nos últimos meses desse ano. Em 2016, finalmente começou-se a utilizar o dinheiro. Essa utilização, entretanto, se deu de forma muito tímida: o principal problema era a falta da definição de um modelo de prestação de contas. Ainda assim, arrecadou-se nesse ano cerca de R$ 200 mil para o fundo. 

Em abril de 2017, quando eu assumi após a renúncia do Sombra (T19), a prestação de contas do fundo estava três meses atrasada e havia quase R$ 800 mil a serem arrecadados. Além de tudo, o CASD anterior tinha implodido: com o Sombra, também renunciara a maior parte dos diretores e membros. A situação estava caótica! Na primeira semana de cargo eu cheguei a mandar um e-mail para o Professor Pacheco pedindo ajuda para a ideia não morrer. 

Acho que o que foi determinante, porém, foi a simpatia mútua que logo foi criada entre mim e o pró-reitor de Administração, Coronel Fábio, que também acabara de assumir o cargo. Essa simpatia, que depois se transformou em uma amizade, permitiu que sentássemos juntos e fizéssemos, ambos, concessões de prazo e de formato, até que achássemos algo que servisse para ambos. Nós encontramos e eu cumpri todas as “cláusulas” do nosso combinado. Outro fator preponderante foi a confiança que o Professor Anderson Correia, o novo reitor, depositou nos alunos. 

O ponto de virada foi quando iniciamos as nossas primeiras obras. A primeira coisa que fiz com o dinheiro foi comprar lâmpadas para o H-8 (me incomodava profundamente o H-8 ficar totalmente às cegas durante a noite). A segunda foi consertar os bebedouros dos corredores (essa foi uma promessa de campanha). E assim foi indo. As obras nos davam a confiança da administração do ITA e o apoio da comunidade. Assim, muita gente que jogava contra passou a jogar a favor. Entramos em um ciclo de realimentação positiva. Isso foi por volta do mês de maio.

Então, dada a grande quantidade de obras que estávamos realizando, sentimos a necessidade de contratar uma pessoa para nos ajudar com a prestação de contas e a fiscalização dos projetos. Na época eu já conhecia o Arnaldo Barbalho, diretor da AEITA (outro bom amigo). Ele nos ajudou com o processo de contratação e as entrevistas de modo geral.

Nessa época, iniciamos a captação dos R$ 800 mil que estavam em atraso e a emissão de boletos em uma base mensal. Foram os meses de ouro. Tínhamos pela primeira vez uma fonte mensal de recursos. Tínhamos uma funcionária para nos ajudar a fiscalizar as obras e preparar as prestações de conta. Tínhamos a confiança e o apoio do ITA. Tínhamos, também, a confiança e o apoio da comunidade. E o mais importante: tínhamos um H-8 que há muitos anos não via reformas. 

De junho a novembro fizemos um total 11 grandes reformas/projetos, a saber: 1. o telhado do C (em cima do gagá); 2. a reforma do Hall do C; 3. a reforma dos banheiros coletivos do H8; 4. a reforma da lavanderia; 5. a reforma do Hall do B; 6. a reforma da sala de jogos; 7. a colocação de um mastro com uma bandeira do Brasil no H-8; 8. a reforma do Hall do A; 9. a reforma da quadra do A; 10. a dedetização do H-8; 11. Reforma do telhado do A.

Além do mais, passamos a ter, ao final desse período, duas funcionárias diretas, dois funcionários indiretos (para pequenas reformas nos apartamentos), duas funcionárias indiretas (para a limpeza dos Halls). 

Mas nem tudo foram flores. A relação do CASD com a AASD, em cuja conta eram depositados os recursos do Fundo de Manutenção do H-8, durante toda a minha gestão, foi dificílima. Por isso, o CASD iniciou uma movimentação para acharmos um local alternativo para sediarmos a conta do fundo. Nessa mesma época, por iniciativa do Coronel Fábio, iniciou-se um grupo de trabalho para reformular o Fundo de Manutenções do H-8 – a documentação criada não estava redonda (motivo esse da pouca utilização, inclusive, do dinheiro no ano de 2016).  Foi um pouco difícil convencer o ITA que seria preciso mudar o modelo de gestão em vigência, pois ele parecia funcionar (para quem estava de fora) muito bem e também não parecia haver uma outra alternativa viável de parceiro.

Me lembro, como se fosse hoje, o dia em que comecei a discutir com o Arnaldo Barbalho essa questão. Foi então que surgiu a ideia de mudar o fundo para a AEITA. Em um ato de extrema ousadia, fomos juntos até a sala do Coronel Fábio (sem marcar horário, por isso foi uma atitude ousada). Ficamos cerca de uma hora discutindo a ideia com ele. No mesmo dia, encontramos no rancho o Coronel Porto (estava acontecendo alguma solenidade – se não me engano era dia do aviador ou algo assim – já era segundo semestre). Também o convencemos da proposta.

Por fim, o novo fundo ficou na AEITA e as obras ficaram no H-8. Foi um ano de muito trabalho, mas acho que o resultado valeu a pena.

Eu acho que foi um passo extremamente necessário e providencial. A máquina pública brasileira não consegue cobrir todo o seu custeio. Como é sabido, a Força Aérea está passando por um grande processo de reestruturação: o número de militares da ativa vai cair pela metade nas próximas décadas. Por outro lado, o número de alunos vai dobrar. No modelo anterior, essa conta não iria fechar (o que possivelmente aconteceria é que duplicariam o ITA sem duplicar o H-8, acabando com o modelo da escola). Digo mais: a tendência natural, pela pressão econômica, é que cada vez mais os alunos sejam protagonistas na manutenção e conservação do campus.   

Um outro aspecto interessante é que esse novo paradigma ressignifica a máxima de que o H-8 é a nossa casa. Estarem, os alunos, envolvidos na gestão e manutenção do prédio faz com que sejamos muito zelosos com esse patrimônio e nos sintamos ainda mais apegados a ele.

Ademais, nós, alunos, mostramos uma capacidade executiva perante ao ITA e ganhamos a confiança da nossa escola. Vale lembrar que atualmente movimentamos cerca de R$ 42 mil por mês. Temos uma inadimplência relativamente pequena (e caindo). Temos também duas funcionárias com a expertise da operação. Temos um software – desenvolvido dentro do H-8, por alunos, – que faz as cobranças automaticamente, enviando um e-mail personalizado para cada aluno com o seu boleto mensal. Temos procedimentos montados com relação aos alunos carentes (um caminho simples, seguro e pouco burocrático para conseguir a isenção). Temos procedimentos montados, também, com relação à aprovação de novos projetos pela comunidade. Temos uma governança e modelos de transparência internos (prestações de conta para a comunidade de alunos). Temos, também, prestado contas da utilização dos recursos ao ITA há 12 meses (sem ter atrasado a prestação de contas em nenhum mês – e todas foram aprovadas até agora pela pro-Adm). Temos, por fim, uma equipe de quase 20 alunos no CASD que dedicam uma parte relevante do seu tempo livre para cuidar do H-8 via esse projeto. Tudo isso tendo nesse período dois parceiros financeiros diferentes, com idiossincrasias muito próprias, duas gestões do CASD diferentes, também cada uma com uma estilo diferente, além das diversas crises (talvez até naturais dados o tamanho e importância que a operação foi adquirindo). Com certeza é um projeto que veio para ficar e trará ainda muitos bons frutos!   

Eu não me sinto protagonista e acho difícil dizer que alguém em específico foi protagonista. Esse projeto foi feito por várias mãos e em vários tempos. O fundo é o resultado da atuação conjunta e intertemporal do Coronel Fábio, do Coronel Porto, do Assado (T18), do Astro (T18 – presidente do CASD em 2016), do Arnaldo Barbalho, do Wesley Camargo (T19), do Marinot (T20), do Schiavetto (T20), do Daniel (T21), do reitor Anderson, do reitor Pacheco, dos professores Carlos e Cristiane, do Capitão Gutemberg, e de muitas outras pessoas que, por ignorância, talvez eu desconheça ou não esteja me lembrando agora”.